O mundo caindo lá fora e a pessoa tendo que desenvolver a habilidade de se concentrar nas provas que estão por vir como se vivesse no País das Maravilhas. Eu não queria abrir o guarda-roupas que abriga minhas defesas antigas, pois não saberei reabrir o zipper que eventualmente tolher-me-á dentro da couraça gélida. Mas por ora, será a única maneira de sobreviver: hibernar as emoções nessa caverna hipotérmica até que a primavera dê sinais com os primeiros passarinhos cantando para as flores.
A vida é desenvolver a arte de fazer isso. O mundo cai lá fora o tempo inteiro. Mas a vida continua, e a gente não pode ficar paralisado por isso. É aprender com a experiência alheia e com os erros próprios. Sabe aquele exame de consciência que a Igreja diz para fazermos toda a noite? Agimos bem hoje, reagimos bem, poderíamos ser melhores? Afinal a gente não quer pouca coisa, queremos 'apenas' ver Deus na eternidade, e para isso precisamos chegar diante dele na melhor forma possível, tendo desenvolvido a virtude, multiplicado os talentos, exercitado os dons que Ele deu.
ResponderExcluirE em um casulo a gente não fará isso. Quem quer aumentar os músculos, primeiro sente a dor das fibras rompidas. Para viver plenamente, a gente precisa se expor e correr o risco de sofrer um tantinho. E vamos sofrer, certamente, porque a vida é uma multidão de possibilidades e umas se tornam concretas e outras nos decepcionam, é impossível que todas tomem lugar na realidade. Mas a gente precisa desenvolver nossa humanidade, sofrendo as dores humanas. A gente precisa exercitar nossos sentimentos: sentindo, em vez de deixarmos de sentir. A gente não pode se refugiar em abstrações, em explicações intelectualizadas. A fuga para a abstração, para a racionalização, é uma fuga dupla: fugimos da dor, mas também fugimos de nós mesmos, da vida que poderíamos ter, do que poderíamos ganhar e do quanto poderíamos crescer.
Bom, acho que me estendi além do post, mas vale como uma continuação da nossa conversa.
Não estou racionalizando nem fugindo de mim. Estou apenas vivendo uma fase semelhante à dos insetos que, por necessidade natural hibernam no inverno - com tudo o que são e com o que conquistaram no verão. Caso contrário, não sobreviveriam. Eu dependo muito, muito mesmo, do meu estado emocional para funcionar bem. Se ele não está bom, é necessário podá-lo um pouco para não jogar as obrigações pela janela. Ninguém vive só de direitos e para cumprir meus deveres, se faz necessário dar uma esfriada. Isso é contra seu jeito de pensar, mas eu sou assim e creio que dificilmente vou mudar nesse aspecto.
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