sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sobre arrepender-se...

Se a imprudência é a razão de se arrepender por atitudes que possivelmente geram consequências ruins... Ah! O que dizer da preguiça - essa que rouba dos nossos olhos o que sonhamos ver, que tão vil e sorrateiramente nos priva da realização dos nossos anseios mais profundos, dos sorrisos sinceros e do cansaço de um corpo que carrega em si uma alma satisfeita? 
Para muitas coisas na vida, temos inúmeras chances de tentar novamente, e para outras temos uma só. A diferença entre essas situações costumam ser cada vez mais perceptíveis à medida que vamos amadurecendo e ampliando nossos horizontes, mas jamais saberemos qual será a última chance dentre as que julgamos incontáveis. Por isso, não vale à pena contar cardinalmente um conjunto de atitudes das quais desconhecemos o limite; e quem somos nós para descontarmos o tempo como se fôssemos ampulhetas humanas? O que vale à pena é fazer de cada nova chance uma chance única e darmos o máximo de nós mesmos seja lá ao que for, pois assim - e somente assim - não carregaremos em nossas bocas e em nossos corações palavras amargas de arrependimento.  


domingo, 28 de junho de 2015

Quem sabe se na próxima vida
Eu tenha um coração canino
Melhor que o meu feminino...

Tudo o que eu sempre quis foi guardar meus melhores momentos impressos numa caixa de sapados.
Deixá-los no fundo do armário, escondidos, intocáveis. 
Tudo o que eu sempre quis, foi ver meus sentimentos engolidos e corroídos pelo suco gástrico ao invés de sair leves pela boca ou pelos dedos em forma de som ou de tinta, dando ao papel um significado. 
Tudo o que eu sempre quis, foi ver minha forma de carinho sendo diminuída ao tamanho da imaturidade, ter horas de pensamento em rimas jogados ao chão. 
Tudo o que eu sempre quis, são pequenos sadismos que me matam por dentro e, se no final dessa fase ainda restar um pouquinho de mim, que eu renasça com um pouco mais de liberdade e me esparrame por aí como - na verdade - sempre quis. 

Rainy day


Se com um susto eu cheguei e fui tomando conta do espaço sem pedir licença, feito água que cai do céu e ensopa a roupa e o corpo do desprevenido, prometo que para desfazer a má impressão dá entrada, deixo meus pedaços feitos de lágrimas ao calor do sol para que evaporem e se vão aninhar nalguma nuvem por aí, bem devagarinho... 

domingo, 21 de junho de 2015


Tivéssemos nós a possibilidade de perguntar a uma semente o quanto lhe doeu ao morrer para que dela nascesse uma árvore e saberíamos o valor de um ser humano que passou por processo análogo de transformação para que dele (ou nele) surgissem personalidade, caráter e valores dignos de respeito.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Numa semana como essa, o cérebro já virou gelatina

Que me parece o silêncio, quando minha mente ferve em pensamentos e emulsiona cada um deles numa mistura caótica de boas e más sinapses, senão uma inquietação? Uma larva que, posta dentro da goiaba, alimenta-se da massa clara que há dentro do fruto – sem saber que é clara. Mas ainda sem saber o que há lá fora (ou mesmo a definição de dentro e fora), ela caminha ansiosamente para o ponto extremo de sua partida e encontra o fim – ou seria o começo? Encontra a luz entre os dentes de uma boca. Estupefata com o desconhecido, tem maior surpresa ao ver a si mesma. Quão pequenina, desprovida de beleza, pobre e sem valor. Diante de quem? Diante de quê?


Diante do silêncio inquieto de onde nascera, é nada menos que o infinito. 
A quem palavras soam como música, o silêncio é um doloroso desafeto.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Indiferença, subjetividade

A indiferença mata o que há de bom.
Ou ela nasce justamente quando o que havia de bom já se foi?

Me parece hipocrisia querer abraçar o outro ou o mundo, se eu não puder me importar com as coisas simples que agradam o próximo ou com as pequenas coisas que estão ao alcance dos meus olhos e das minhas mãos.

Assim mesmo, cheio de pronomes possessivos e relativos em primeira pessoa do singular, porque, no fim, o que se há de ver é uma soma subjetiva de singularidades que podem resultar uma mistura harmônica ou um verdadeiro caos.

terça-feira, 17 de março de 2015


Para o riso não ser raso
É preciso ser profundo
Carregar dentro do peito
Todo amor do mundo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Esses dias eu percebi como é sem graça crescer se com o muito que a gente ganha perdermos a simplicidade das crianças. É sempre bom ter uma por perto para nos resgatar alegria nas coisas bobas e pequenas. Foram dois minutos observando, vestida da minha cegueira de, enfim, adulta, não entender aquela alegria genuína ao subir e descer as escadas rolantes com o sorriso estampado no rosto.  
Coisa boa de se ver.