Oito dias. Apenas oito dias que me pareceram tão curtos em sua duração e tão longos nos ensinamentos que trouxeram. Embora eu já tivesse participado de inúmeros eventos da Igreja, vivido dias encantadores, todos eles são momentos que já se foram e ficaram estampados na memória e tatuados em algum cantinho do coração. Pertencem ao passado e jamais voltarão.
Eu postei no Face que sentaria para escrever mais sobre o Missão Universitária Ir. Henri Vergès e cá estou com o teclado e os dedos.
Como comentei ali em cima, não sou marinheira de primeira viagem; já se foram seis anos depois do primeiro acampamento que mudou o rumo da minha história por completo direcionando-me para uma trilha mais feliz e simples. Para quem me viu no Missão, deve ter pensado que eu sou uma manteiga derretida: não houve uma Missa em que eu não chorei. Talvez tenham pensado que estivesse com saudade de casa ou uma dificuldade qualquer por estar longe... Ledo engano! Se cada um pudesse colocar no papel o que sentiu naqueles dias, tenho certeza que muitos escreveriam mais e melhor do que eu, mas para mim o Missão foi uma viagem. Em todos as definições possíveis. Um deslocamento geográfico, um encontro com o outro, uma viagem em mim mesma - sobretudo esta última.
Confesso que o primeiro motivo que me atraiu ao Missão foi a possibilidade de me doar em algum projeto para esquecer um pouco a solidão que vivi nos primeiros meses da faculdade e eu achava que era só isso. Com as formações descobri que faria amigos e por último, já em Florianópolis, tive uma percepção de que estávamos ali para ouvir Deus em cada minuto, ver Deus em todos os rostos, agradecer a Deus especialmente naquela quarta-feira linda proporcionada de forma perfeita com inúmeras coincidências positivas para que tivéssemos um dia inesquecível marcado por fraternidade, garra, alegria e aventuras.
No Missão eu me senti pequena, do tamanho de um nadinha do qual as pessoas podem perfeitamente viver sem, do qual a paisagem não precisa para ser mais bonita, do qual as crianças não precisam para sorrir. E por ser tão pequena e ainda assim ser tratada com incomparáveis singularidade e carinho, me vi também como um pontinho do bordado do nosso avental da equipe "Amor ao Trabalho" - indispensável e insubstituível. A tradução de tudo isso em tempo real eram as lágrimas vertidas nos momentos de espiritualidade, na Missa, por excelência. E isso tem um significado muito bonito na minha história.
Creio que alguns saibam como é e outros tenham a sorte ou o privilégio de não ter a habilidade de vetar as próprias emoções. Eu sei fazer isso e por azar sei muito bem. O defeito da "técnica" é não saber como parar o processo que se desencadeia depois de iniciar os cortes. Geralmente, começamos a ignorar as sensações ruins para evitar sofrimentos e desestabilidades. Não percebemos, mas com as sensações ruins anuladas, também enviamos para o plano da insensibilidade toda oportunidade de sentir algo bom, pois a habilidade de viver intensamente que o ser humano carrega consigo é intrinsecamente unida como se tudo fosse um ímã e as alegrias e tristezas seus dois polos antagônicos. Eu precisei lançar mão da indiferença depois das primeiras provas da faculdade, porque meu estado emocional não estava colaborando com o rendimento estudantil, mas o medo era grande pois o caminho era sem volta.
O Missão foi o resgate que eu precisava, foi a viagem que precisava fazer para dentro de mim mesma. Cada gesto de afeto desinteressado, os sorrisos desmedidos, os cuidados comigo foram, um a um, desarmando todas as defesas com as quais eu havia chumbado meu coração cega e veementemente no início do ano. Esses oito dias restabeleceram em mim a espontaneidade, abriram meus olhos para os amigos que estarão convivendo comigo todos os dias até o final do ano com as mesmas resistências que eu havia criado para me defender. Trago no coração o sentimento e na mente o sentido desses oito dias: é daquela forma que devemos viver sempre. Sem pensar no que vão dizer, sem nos importar com julgamentos negativos, sem nos podarmos para evitar rótulos; porque todos esses "sem" que nos impõe o mundo à nossa volta ficam implícitos os sem alegria, sem fraternidade, sem riscos, sem vida...
Gostaria de agradecer mais uma vez a todos os organizadores, pastoralistas, monitores, a todos os responsáveis para que o Missão acontecesse. E a todos os que se fizeram presentes, MUITO OBRIGADA pela companhia adorável durante esses oito dias inesquecíveis e transformadores. Agradeço sobretudo a Deus por ter me guiado para estar na PUCPR e por ter apaziguado minhas dúvidas no momento em que eu poderia ter saído, por ter me mantido firme, embora, na época, insatisfeita em Curitiba. Não há nada mais latente dessa experiência de amor e solidariedade do que uma profunda gratidão. Que essa chama jamais se apague - e ela pode se apagar com muita facilidade se a gente se fechar. Que todos nós possamos ser um sinal, um rastro de bem.