Se fosse premiada com um pouco mais de imaginação, poderia ter visto as lâminas brilhando no corte do vento. A noite estava fria depois de um dia vivido intensamente, as pernas pesavam toneladas, os dedos cianóticos...
Deram-nos uma pequena vela.
Depois de entrar na mata, aquela chama miudinha era capaz de iluminar o caminho esorregadio e nos permitia andar. Mas para andarmos com segurança, era necessário não olhar diretamente para a luz, mas para o chão e não olhar para a própria luz, mas para a do companheiro que ia um pouco adiante. No silêncio das vozes, somente com o som do farfalhar das folhas e dos galhos quebrando nos pés, eu pude sentir que aquela caminhada era um exercício de humildade, como devemos caminhar em nossa vida no dia-a-dia. Toda vez que eu olhava para minha própria luz, eu me sentia cega, assim como quando olhamos para nós mesmos com orgulho e vaidade e não conseguimos ver nada ao redor - nem nosso próprio caminho. Mas quando nos deixamos encantar e conduzir por outras luzes que não as nossas, por chamas muitas vezes mais brilhantes, somos guiados por um caminho seguro a um destino maior.
Em certos momentos, a lua iluminou mais do que nossas velas e isso me fez pensar que o meio em que estamos, a graça de estarmos numa ótima faculdade, fazendo o curso com o qual sonhamos é muito maior do que nós mesmos, é uma grande corrente de pessoas que vivem e viveram, que deram suas vidas, que trabalharam e ainda trabalham arduamente para que nós possamos usufruir disso hoje. Os fabricantes das barracas, das velas, das nossas roupas, as pessoas que cuidam daquele local para mantê-lo como um pedacinho do paraíso para que eventos como o ACAMPUC aconteçam, os pastoralistas, os monitores (tão estudantes e tão ocupados como quaisquer outros de nós que estivemos acampando)... Muitas pessoas são necessárias para que nós simplesmente caminhemos. Depois de perceber tudo isso, mais do que falta de fé, é um ato de extrema ignorância não ser grato a tudo e a todos, sobretudo a Alguém Maior. Alguém que eu costumo chamar de Deus, amar como a um Pai e tê-lo como um Amigo.

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